6 FEVEREIRO 2010 - 19.12h
Categoria -
Política
Os despachos aqui.
Sócrates aqui.
Ou seja, é mera impressão minha ou até agora Sócrates ainda não disse que as transcrições das supostas escutas são falsas?
E é impressão minha ou Sócrates, que parece não ter desmentido o teor das supostas transcrições, considera que esse teor é do domínio privado?
Ao domínio privado não fazem parte conversas sobre empresas públicas (ou onde o Estado ainda detém golden shares, o que vai dar ao mesmo), ainda para mais quando um dos intervenientes na conversa é Primeiro Ministro. Ser Primeiro Ministro implica duas coisas: servir os interesses do país e ter poder sobre todos nós. Conversas em que um Primeiro Ministro aparentemente planeia ferir o interesse geral não são conversas privadas pois remetem directamente para o interesse de todos e porque é urgente que a sociedade tenha conhecimento de eventuais ameaças que, por provirem do sector do poder, necessariamente terão consequências muito graves.
E deveria ser óbvio que quaisquer eventuais conspirações criminosas não podem ser escondidas do público sob o argumento ridículo de serem conversas privadas. Uma conspiração entre políticos e empresários que afecte a liberdade de expressão e o Estado de Direito diz respeito a todas as pessoas.
A menos que Sócrates considere que o Estado é ele, é um absurdo defender-se dizendo que não comenta conversas privadas. Conversas sobre o Estado e empresas públicas não são privadas quando têm lugar entre pessoas com real poder para controlar Estado, empresas públicas e privadas. Conversas com tal teor fazem-se em sede própria - Conselho de Ministros, Parlamento, assembleias gerais de accionistas - a menos que se tenha qualquer intenção nociva a esconder do público.
Ou o Primeiro Ministro José Sócrates repudia em absoluto o conteúdo das supostas transcrições das escutas, ou então o Presidente da República tem de demiti-lo imediatamente.
Não é a crise económica, o terrível estado das contas públicas, nem mesmo o drama de haver 10% de trabalhadores no desemprego que justifica a permanência de um Primeiro Ministro sob graves suspeitas de tentativa de crimes que atentam ao Estado de Direito.
Ou Sócrates nega já, ou Cavaco demite-o agora. Quanto tempo mais é que será necessário esperar?
Ricardo Vicente