7 DEZEMBRO 2011 - 12.29h
Categoria -
Política
ou (A Quem Nós Estivemos Entregues, Meu Deus!)
«Pagar a dívida é ideia de criança». A frase é de José Sócrates, proferida numa conferência com colegas universitários. A plateia, constituída por alunos da secção latino-americana - provavelmente um subgrupo a que pertence o aluno José Sócrates – aplaudiu estrondosamente o nosso ex-PM. No final, consta que terá dito «há muito tempo que não era assim aplaudido».
Fora o pitoresco da cena e o riquíssimo filão de anedotas que o episódio proporciona, aquela frase é todo um programa. Socialista e cainesiano, acrescente-se (e não Keynesiano). É o programa de base da Sócrates & Galamba School of Economics: 1) a despesa é infinitamente virtuosa; 2) a dívida é uma abstracção; 3) os recursos só são escassos na teoria.
É esta a disposição lógica que serve de sustentação à estrutura mental dos que defendem os Eurobonds e/ou a impressão de moeda para solucionar a crise das dívidas soberanas. O saneamento das contas, a tentativa de corrigir os erros passados, a implementação de medidas de reajustamento, que acomode o nível de gastos à capacidade produtiva do país – tudo não passa de uma brincadeira de crianças.
«As dívidas gerem-se, foi assim que eu estudei», disse José Sócrates. Não, caro senhor, estudou mal: as dívidas pagam-se. Sempre. Mais tarde ou mais cedo. E, veja bem: são pagas pela ralé que o senhor sempre desprezou e desrespeitou, com o seu irresponsável cainesianismo de pacotilha.
Carlos do Carmo Carapinha