24 ABRIL 2009 - 09.18h
Categoria -
Política
A jornalista Fernanda Câncio, na sua habitual homília das sextas-feiras no DN, decidiu desta feita perorar sobre o ultraconservadorismo de Cavaco. No artigo de opinião de hoje, fala em "relação difícil com a verdade" e "demagogia", entre outras considerações acerca da prestação de Cavaco enquanto Presidente da República.
A jornalista Câncio concretiza as suas acusações da seguinte forma:
"Cavaco é tão fiel à ideologia hiperconservadora que o enforma em termos de costumes que um mês após a entrada em vigor de uma lei que vetou, a do divórcio, foi a Fátima fazer um discurso em que atribuía ao efeito da lei um aumento dos casos de pobreza. "Dizem-me que", disse o presidente no meio de uma assembleia de prelados, sem cuidar de dizer quem lho tinha dito e muito menos como seria possível, num mês, medir tais consequências de uma lei." - sublinhado meu
Perante isto, só há 2 conclusões possíveis: (i) Fernanda Câncio é incompetente e não cuidou de confirmar os factos que refere no seu artigo ou (ii) Fernanda Câncio está de má fé, deturpando conscientemente a realidade dos factos, de forma a poder sustentar a teoria que desenvolve em seguida a propósito de Cavaco.
Ora, ao contrário do que Câncio afirma, a lei do divórcio entrou em vigor a 1 de Dezembro de 2008, tendo Cavaco falado sobre a mesma passados 2 meses (e não 1 mês, como a jornalista afirma).
Acresce que, também contrariamente ao que a jornalista pretende fazer crer, Cavaco não atribuía à lei do divórcio o aumento dos casos de pobreza. Quem ler o que a jornalista escreve fica com a ideia de que Cavaco estaria a referir-se aos efeitos produzidos até então pela entrada em vigor da nova lei. Não foi isso que Cavaco disse. Basta ler: "disse temer que o novo diploma sobre esta matéria leve ao aumento do número de novos “novos pobres”."
Propositado ou não, estou certo de que a jornalista - ou os responsáveis pelo jornal, caso aquela opte por assobiar para o ar -, fará a respectiva errata e enviará ao visado pelo texto as necessárias desculpas.
Rui Castro
Rui Castro