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3 FEVEREIRO 2012 - 10.48h

So fucking Blur

Categoria - Política

 

Para o Carapinha, por ter tornado isto possível.



PM Ramires

1 FEVEREIRO 2012 - 00.55h

"Projecção" ainda se escreve assim?

Categoria - Política

O lançamento de um evento denominado «capital-qualquer-coisa-da-cultura», parte de dois equívocos: 1) a «cultura» é coisa que se pode produzir por atacado, decreto ou encomenda, em local e período circunscritos; 2) existe um público ávido por banhos de enriquecimento cultural (dito de outra forma: a procura está assegurada). Ambos os equívocos parecem caucionar a velhinha e orquestradora presunção de meia dúzia de políticos e apaniguados que, por vaidade, ingenuidade e, nalguns casos, irresponsabilidade, acharam justificável criar uma fundação (mais uma) para gerir (ou seja, para gastar) milhões num evento que putativamente deixará a sua «marca», e que se acredita ser esta: um importante contributo para inverter o endémico estado de obscurantismo de que padece a nação e/ou a região, dando a conhecer ao mundo – numa palavra: «promover» - a «cultura» indígena. Paralelamente a isto, há ainda o propósito de, e passo a citar, dar "apoio a acções de formação com relevância na área da cultura, promovendo a formação técnica especializada dos agentes e profissionais deste domínio ou domínios afins."
 
“Guimarães Capital Europeia da Cultura” insere-se na longínqua e profícua tradição, saloia e provinciana, de pensar que basta despejar uns milhões (orçamento global superior a 111 milhões de euros) a jusante - dando guarida, durante o processo, às gentes necessitadas da cultura (sempre desgraçadinhas e a precisar de amparo) - para garantir o progresso dos espíritos e a bendita «projecção» («projectar» a nação faz parte do Top 5 dos desígnios predilectos de políticos e respectivos conselheiros «culturais»).
 
Não é preciso ler o Eça para perceber o logro que insistimos, ainda hoje, em trilhar. Não resulta instigar, por compulsão e durante um período, «cultura» - seja ela erudita, alta ou popular – se, do lado de lá, não houver, a montante, um trabalho de educação que desperte o gosto, o interesse, o sentido crítico e a sede de conhecimento. Caso contrário, será mais uma tentativa de lançar sementes em terreno pouco fértil, num país, é bom não esquecê-lo, que precisa urgentemente de rever as suas prioridades.
 



Carlos do Carmo Carapinha

25 JANEIRO 2012 - 09.51h

A palhaçada

Categoria - Política

Meço bem as palavras: a petição on-line, de cinco frases, que pede a discussão no parlamento da «demissão do Presidente da República» é uma palhaçada.

É uma palhaçada porque imagina um sistema político onde o Presidente da República pode dissolver o parlamento e o parlamento pode destituir o Presidente da República, assim numa espécie de roleta russa.

Também é uma palhaçada porque nasce de uma gaffe, de uma atitude que, na pior das hipóteses, revela que o actual Presidente da República é má pessoa; ora, a Constituição da República Portuguesa explica (artigo 130º) que o Presidente da República responde perante o Supermo Tribunal de Justiça e não perante a Internet. E responde «[p]or crimes praticados no exercício das suas funções» e não por inabilidades políticas e inaptidões sociais.

Mas é sobretudo uma palhaçada porque decide mascarar-se de palhaço: o texto é deploravelmente mal escrito (dá a sensação que foi escrito no iPhone por um «indignado» ao volante na auto-estrada) e absurdo. Como prova única, apresento-vos a terceira frase (que, lembro, constitui 20% da petição):

«Portugal sendo um país democrático a população que o integra é que decide quem fica, quem vai e quem é realmente merecedor de uma posição no Governo.»

No Governo, por Deus! No Governo!

Que se encontre uma pessoa não inimputável entre os «mais de vinte mil» signatários da petição é uma hipótese que coloco com reservas.



Lourenço Ataíde Cordeiro

Autor:

  • Rui Castro

    Advogado. O seu conservadorismo é um acto de rebeldia. Gostava de ser de esquerda mas é mal frequentada.

  • Maradona

    Cidadão que só faz posts sob a capa do anonimato.

  • Carlos do Carmo Carapinha

    Alentejano, hipocondríaco, filosoficamente conservador, céptico e pessimista. Só chatices

  • Lourenço Ataíde Cordeiro

  • Nuno Pombo

  • PM Ramires

    

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