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Apesar de existirem indícios da existência de redes criminosas a operar no espaço europeu que garantem o escoamento do ouro para outros destinos, o relatório diz que "uma parcela muito significativa do ouro furtado e roubado" em Portugal destina-se aos estabelecimentos de comércio de ouro localizados em todo o país, que recorrem "a estratégias ilícitas para legitimar" a origem deste material roubado.O estudo sobre o furto e roubo a ourivesarias, elaborado por uma equipa mista de prevenção criminal criada pelo secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, Antero Luís, sublinha também que a actividade comercial conexa ao mercado do ouro constitui-se como "particularmente atractiva para a acção de indivíduos e grupos criminosos como fachada para actividades ilícitas".O documento destaca igualmente a interdependência entre os crimes de furto e roubo e os crimes de receptação, observando que o mercado do ouro "encerra ainda vulnerabilidades relativas à sua potencial utilização enquanto veículo para o branqueamento de capitais". Segundo o relatório, a aparente imunidade do ouro à volatilidade dos mercados transformam-no num "activo seguro, passível de funcionar como bem de elevado valor, ao qual não está associado o mesmo risco especulativo inerente, por exemplo, aos investimentos em arte ou antiguidades".O estudo frisa também que o comércio de ouro passou de um sector com uma dimensão reduzida para um mercado mais diversificado e plural, que inclui ourivesarias, lojas de compra e venda de ouro, compra e venda de ouro online/postal, entre outros, passíveis de esconder "nas suas zonas cinzentas" a prática de crimes de índole diversa.Perante este cenário, a equipa mista de prevenção criminal propõe medidas de alteração e modernização legislativa para o sector, designadamente a criação de mecanismos de obrigatoriedade de reporte às autoridades de todas as transacções efectuadas, alertando que já existem no mercado soluções informáticos para o efeito.Outra sugestão vai no sentido de não alienar os objectos de ouro comprados sem que tenham decorrido 20 dias e que tenha sido dada baixa na base de dados.A equipa mista propõe ainda soluções ao nível da segurança física dos estabelecimentos, como a adopção de alarmes, existência de um cofre adequado com abertura retardada ligada à central pública de alarmes e separação física através de guiché entre público e atendimento.No início do ano passado, o secretário-geral do Sistema de Segurança Interna criou uma equipa mista de prevenção criminal destinada "especialmente à prevenção dos crimes de furto e roubo a estabelecimentos de venda de ouro, vulgo ourivesarias".Uma das missões desta equipa mista é este estudo nacional relativo ao fenómeno de furto e roubo em ourivesarias, que resultou num trabalho conjunto da PSP, GNR, PJ e SEF.