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"Água, lixo, saneamento, prestações nas escolas" são as tarifas municipais de que a Câmara de Gaia está disponível a baixar nos casos dos trabalhadores da Cerâmica de Valadares que demostrem estar a enfrentar dificuldades económicas, anunciou hoje Luís Filipe Menezes à porta daquela unidade fabril. Um piquete de cerca de duas dezenas de trabalhadores mantém-se nos últimos dias à porta da fábrica, reclamando o pagamento de dois meses de salários em atraso. Apesar do anúncio feito na sexta-feira pela administração de que o pagamento antecipado de uma encomenda permitiria resolver o problema salarial, os trabalhadores garantem que até agora não receberam qualquer comunicação da empresa nesse sentido."A câmara não é um sindicato, nem o ministério da Economia, o seu papel é aconchegar as dificuldades das pessoas, de acordo com as competências que tem e é isso que estamos a fazer", afirmou Luís Filipe Menezes.Durante a próxima semana, a autarquia, com o auxílio das juntas de freguesias de Valadares e de Vilar do Paraíso, irá montar um local de atendimento para tentar identificar os casos de trabalhadores com maiores dificuldades."Dado que esta situação se está a agudizar vou fazer uma reunião de câmara para avaliar não só a questão da Cerâmica de Valadares mas também uma ou duas situações agudas de desemprego que estão a suceder em Gaia", anunciou ainda Menezes, que afirmou a sua intenção de convidar deputados das várias forças políticas para essa reunião onde irá tentar "encontrar um pacote de ajuda mínima" aos trabalhadores. O presidente da Câmara de Gaia fez ainda um apelo ao Governo "para que o IMI que é lançado este ano a título excepcional e que não vem para as Câmaras, possa ser reponderado no caso de trabalhadores desempregados". Luís Filipe Menezes recordou que "a Câmara resolveu problemas a esta empresa há dois ou três anos atrás, quando valorizou estes terrenos de uma forma brutal para fazer aquilo que era óbvio, que era negociar com a banca e transferir esta empresa para outro local em Valadares onde fosse possível ter um outro lay-out, que aumentasse a sua capacidade produtividade da empresa"."Eu acho que passou demasiado tempo desde aí até agora, mas não quero fazer juízos de valor", afirmou Luís Filipe Menezes, que disse que só voltou a ser contactado pela administração da empresa em meados de Dezembro e que na altura lhe pediram "ajuda para pressionar o Governo e da banca desbloquear pequenos quantitativos que, segundo eles, resolveriam o problema da empresa".