“Os desafios que se colocam à economia portuguesa vão muito para além da redução dos desequilíbrios macroeconómicos acumulados ao longo das últimas décadas”, pelo que a reestruturação em curso tem de "alinhar os incentivos dos diferentes agentes económicos em torno de uma trajectória de crescimento sustentável no médio e longo prazo”. Este processo, acrescenta o BdP, passa por uma “redução dos níveis de despesa dos sectores público e privado e do grau de alavancagem da economia e está a ser realizado no quadro do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF)”. “Estes são objectivos incontornáveis e o sucesso na sua concretização vai determinar o nível de produtividade, rendimento e bem-estar da economia portuguesa no médio e longo prazo”.
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Escreve a instituição liderada por Carlos Costa que a “inversão do ciclo económico em Portugal passa por uma recomposição da procura interna a favor do investimento privado”. No entanto, o papel multiplicador do investimento na actividade económica só pode ser garantido se este gerar uma alteração qualitativa da estrutura produtiva através da incorporação de inovação tecnológica que promova o aumento da competitividade. Um esforço que deverá traduzir-se num aumento do peso das exportações no Produto Interno, mas que exigirá, a montante, mercados mais concorrenciais, designadamente de trabalho, mas também investimento em educação, “dimensão primordial na reestruturação da economia”, sublinha o BdP.
"Importa ter presente que a economia portuguesa está hoje confrontada com um enorme desafio: a reafectação dos recursos produtivos, em especial para os sectores de bens transaccionáveis. Esta reafectação é que vai induzir o incremento da taxa de criação de emprego e de contratação, sendo “condição necessária” para a absorção do desemprego criado no processo de ajustamento estrutural. “Em suma, a concretização efectiva e coerente das transformações estruturais previstas no PAEF é uma condição necessária para que a recuperação da economia seja sustentável no médio e longo prazo”, conclui o Banco de Portugal.