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Banco de Portugal: Ajustamento orçamental é "inadiável"

10-07-2012, por Eva Gaspar/Neg.

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É necessário reduzir níveis de despesas pública e privada

A procura interna vai continuar a cair, mas o ajustamento orçamental que está em curso é “inadiável”, escreve o Banco de Portugal no seu Boletim de Verão, hoje divulgado, no qual prevê uma recessão menos profunda do que a antecipada na Primavera, calculando agora que o PIB recue 3%, em vez de 3,4%.

Numa altura em que se fala mais abertamente de o programa de ajustamento ser reajustado com a troika em Agosto, o banco central frisa ser “incontornável” reduzir despesa e dívida públicas, de modo a libertar recursos para o investimento privado e sobretudo para o sector exportador que, através da incorporação de inovação tecnológica, desejavelmente deve passar a gerar a fatia dominante do PIB português, assumindo um lugar que tem sido da procura interna, em especial do consumo.

“Os desafios que se colocam à economia portuguesa vão muito para além da redução dos desequilíbrios macroeconómicos acumulados ao longo das últimas décadas”, pelo que a reestruturação em curso tem de "alinhar os incentivos dos diferentes agentes económicos em torno de uma trajectória de crescimento sustentável no médio e longo prazo”. Este processo, acrescenta o BdP, passa por uma “redução dos níveis de despesa dos sectores público e privado e do grau de alavancagem da economia e está a ser realizado no quadro do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF)”. “Estes são objectivos incontornáveis e o sucesso na sua concretização vai determinar o nível de produtividade, rendimento e bem-estar da economia portuguesa no médio e longo prazo”.

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