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"Eu vinha num dos bancos da frente, a ver um filme. De repente - foi em segundos - o autocarro começou a ir para a berma, e só tive tempo de me segurar. Quando dou por mim já o autocarro está tombado, umas pessoas a voarem por cima das outras, vidros partidos", contou, por telefone, a partir do hospital de Blois, para onde foi conduzida a maioria das 22 vítimas do acidente (quase todas com ferimentos sem gravidade).António Gonçalves, oriundo de Vila Nova de Famalicão, considera que "o problema foi que a maioria [dos passageiros] ia a dormir", e que "outros iam a ver um filme e não se aperceberam de nada". Depois, "aqueles que levavam o cinto de segurança não saíram do sítio, mas os outros andaram pelo ar"."Apercebi-me por segundos. Nem tive tempo de gritar, só tive tempo de me agarrar, porque vi o que ia acontecer e segurei-me", acrescentou.Quando o autocarro ficou imobilizado, este português, que não sofreu qualquer ferimento, ajudou uma idosa e uma jovem: "A jovem não teve nada, mas a passageira mais idosa magoou-se num braço", referiu. António Gonçalves, que trabalha há cinco anos no grão-ducado, a fazer "um pouco de tudo", espera regressar a casa em breve. Teve, diz, como todos os outros passageiros, acompanhamento psicológico e aguarda agora que o médico decida "se as pessoas estão em condições de seguirem, ou para o Luxemburgo, de autocarro, ou para Portugal"."Em questão de apoios e de socorros foi tudo muito eficaz, gente muito boa. Não vi ninguém a reclamar com nada, até pelo contrário, a dar os parabéns pela maneira como estamos a ser tratados", acrescentou.Um autocarro luxemburguês que transportava passageiros portugueses despistou-se hoje de manhã no centro de França, na auto-estrada A10, perto de Mer (Loir-et-Cher), caindo numa vala e causando 22 feridos, dois deles graves, de acordo com a polícia francesa, citada pela agência France Presse.