[ler mais]
Nesta sexta-feira, o dia mais violento desde o início da paralisação, 19 pessoas foram assassinadas em menos de 11 horas, 17 delas apenas nas primeiras cinco horas da madrugada.Estes números, que ainda não são definitivos - pois há dificuldade em coligir todos os dados, uma vez que muitos serviços internos da polícia estão inoperantes -, foram fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública.Uma das vítimas da matança foi um dos percursionistas do famoso grupo musical Olodum, Denilton César Cerqueira, assassinado durante um assalto no bairro da Mata Escura.Além dos crimes de sangue, muitas lojas e empresas foram assaltadas por toda a cidade e criminosos promoveram arrastões, roubando quem se atrevia a andar na rua ou não tinha outra solução. Em bairros como Mata Escura, Pirajá, Caixa d'Água e Liberdade, todo o comércio fechou as portas.Por toda a cidade de Salvador da Bahia, uma das mais visitadas por turistas portugueses que escolhem o Brasil para passarem férias, as pessoas tentam evitar ir à rua e mantêm portas e janelas trancadas, receando serem alvo de acções criminosas. Grupos de criminosos, muitos deles adolescentes, tristemente célebres pela sua crueldade, andam pelas ruas e tentam fazer parar os carros, atirando-lhes pedras.Dezenas de eventos musicais, principalmente ligados ao período pré-Carnaval, foram suspensos, pois não há meio de garantir a circulação e a segurança dos cidadãos locais e dos turistas. Bares, restaurantes e pontos turísticos deixaram de funcionar e Salvador, famosa pelo seu movimento e alegria, parece uma cidade fantasma.Para tentar minimizar a situação, o governo federal enviou para a Bahia 650 homens da Força Nacional, que até domingo subirão para 2600 e se dividirão também por outras cidades do estado. A justiça da Bahia considerou a greve ilegal e decretou aos agentes que voltem imediatamente ao trabalho, mas não foi obedecida.