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Há "sinais claros" de que Anders Behring Breivik não estava num estado psicótico ao cometer os atentados, mas o primeiro relatório psiquiátrico, que o diagnosticava como esquizofrénico paranóico, "coloca uma dúvida real", afirmou o procurador Svein Holden na apresentação das alegações finais.A incerteza sobre a responsabilidade penal de Breivik, reforçada pelo segundo relatório psiquiátrico, que não o considerou psicótico, é considerada decisiva pelo Ministério Público, que considera "pior condenar um psicótico à prisão que um não psicótico a tratamento psiquiátrico".Na audiência, transmitida em directo pela televisão pública norueguesa, o procurador considerou ser "difícil" apresentar objecções à opinião dos primeiros psiquiatras sobre os "delírios de grandeza" na base da suposta paranóia, um diagnóstico apoiado pela Comissão de Medicina Forense.As respostas do próprio Breivik durante o julgamento, como a "tenacidade" com que defendeu a existência da rede terrorista dos "Cavaleiros Templários", fortalecem, na opinião dos procuradores, esse diagnóstico clínico.O procurador admitiu a possibilidade de o tribunal discordar desta avaliação, caso em que pediu, "de forma subsidiária", uma pena de prisão de 21 anos, renovável enquanto o condenado for considerado uma ameaça.Quando o procurador terminou a apresentação, Breivik, 33 anos, levantou-se e colocou o punho direito fechado junto ao peito, estendendo em seguida o braço numa saudação nacionalista que já tinha feito nas primeiras audiências mas deixou de fazer a pedido dos seus advogados. A apresentação das alegações finais da acusação ocupou hoje a penúltima audiência do julgamento em Oslo contra Anders Behring Breivik, iniciado há dez semanas e que termina esta sexta-feira com as alegações finais da defesa e uma declaração final do acusado.A sentença será conhecida a 20 de Julho ou a 24 de agosto, segundo informou antes o tribunal.Breivik afirmou noutras ocasiões que recorrerá da sentença se for condenado a internamento psiquiátrico, uma vez que quer ser considerado criminalmente responsável pelos crimes que cometeu por "convicções políticas".A 22 de Julho de 2011, Anders Behring Breivik fez explodir dois engenhos junto ao edifício sede do Governo, em Oslo, causando a morte a oito pessoas. Dali seguiu para a ilha de Utoya, a oeste da capital, onde disparou indiscriminadamente num acampamento de jovens do Partido Trabalhista, matando 69 pessoas.Segundo afirmou no julgamento, pretendia, com os ataques, castigar o partido responsável pela "islamização" da Noruega, a qual considerou "uma ameaça" à sobrevivência da população norueguesa.