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Berlusconi considera que a saída de um ou vários países da Zona Euro seria um desastre

11-08-2012

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O ex-primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, afirmou este sábado que seria "um desastre" se um ou vários países abandonassem a moeda única, provocando a desintegração da Zona Euro.

Por Lusa - Jornal de Negócios

Silvio Berlusconi, numa entrevista publicada este sábado no diário francês "Libération", adiantou que ainda não decidiu se irá concorrer às eleições legislativas de 2013, e negou que tenha dito que não teria importância se alguns países saíssem do euro. "Nunca utilizei essa expressão. Pelo contrário, sempre afirmei que a saída da moeda única de um ou vários países provocaria a desintegração da zona euro", sublinhou.

Reconheceu que o tema do possível abandono da moeda única foi utilizado por alguns membros do seu partido, o Povo da Liberdade (PdL), mas apenas por questões "tácticas para mudar a posição da Alemanha".

Silvio Berlusconi afirmou que, "perante a intransigência sobre a disciplina orçamental e o rigor, que são importantes, são também insuficientes caso não se tomem medidas para o crescimento", acrescentando que estas políticas podem colocar "inevitavelmente um problema de saída do euro, ao menos para salvar a força produtiva de Itália".

O antigo chefe do Governo italiano lamentou que a "união política" que deveria ter sido necessária não tenha acontecido e criticou a oposição da Alemanha e da França a algumas das suas propostas, como a criação de uma força militar comum ou a nomeação do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair como presidente do Conselho Europeu.

"Sempre sonhei com os 'Estados Unidos de Europa' e estou pessoalmente a favor de uma eleição directa de um presidente da União Europeia e do reforço dos poderes do Parlamento Europeu", adiantou.

Questionado se houve uma acção concertada do eixo Paris-Berlim para o afastar do poder, respondeu que não sabia, acrescentando que não acreditava que tal tivesse ocorrido.

Berlusconi não foi claro sobre as suas intenções de voltar à política activa, mas assinalou que o seu partido, "começando pelos deputados", lhe pede que volte para "relançar a popularidade do partido na campanha eleitoral".

"Ainda não decidi, mas uma coisa é certa: estive sempre ao serviço do meu país", adiantou.

A sua saída do cargo de primeiro-ministro foi interpretada por Silvio Berlusconi como um sacrifício pelo bem do país: "Deu um passo atrás devido ao meu sentido de responsabilidade. Fui o único primeiro-ministro da história que se demitiu com uma maioria no parlamento e sem ter sofrido uma moção de censura".

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