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Surpreendentemente, a política de empréstimos que durante muitos anos imperou no futebol português como um artifício para a composição dos plantéis dos clubes mais frágeis, foi posta em causa e tornou-se assunto de discussão. Foi surpreendente, mas estava na hora. Com uma ânsia revolucionária, os mais “pequenos” avançaram para a mudança. E tinham razão. Os empréstimos a clubes que disputam o mesmo escalão são um atentado à verdade desportiva. Clubes concorrentes devem ter os seus próprios jogadores, e não elementos emprestados por emblemas contra os quais vão, supõe-se, disputar pontos… é tão simples quanto isto. A reviravolta, agora imposta pelo Conselho de Justiça da FPF, recoloca o cenário e, mais uma vez, parece um sinal de “stop” do órgão federativo face à vontade de mudança de uma maioria dos clubes com futebol profissional. O conservadorismo é uma caraterística dos dirigentes portugueses, e no mundo do futebol, então, faz lei. Por isso é tão difícil mudar qualquer coisa: quem está no topo, em posição de poder, ali quer continuar, e usará esse poder para impedir que outros se sentem ao seu lado. Por isso, os clubes ditos grandes tudo farão para manter o predomínio, sendo que parte deste é aplicado através desta política de empréstimos destinada a manter o fosso entre poderosos e fracos. Penso, aliás, que não só era necessário proibir os empréstimos entre clubes do mesmo escalão como também acrescentar mais duas proibições: limitar, drasticamente, o número de jogadores com vínculo profissional a cada clube – não faz sentido que uns tenham 50 e outros não mais que 20… -- e fixar um limite de anos de empréstimo a cada jogador. Não mais que duas épocas emprestado, por exemplo. É que há clubes que cedem um elemento, se for preciso, por cinco ou seis temporadas sucessivas. Que sentido faz isto? Se o jogador não interessa ao clube, porquê mantê-lo vinculado, apenas como moeda de troca? Por isso, deveria haver um limite. Atingido esse limite, ou o clube ficaria com o jogador ou tinha que o libertar. Isto seria mais digno, de maior respeito entre todas as partes. E seria mais um passo na defesa da verdade desportiva. Foi, por isso, uma pena a decisão do Conselho de Justiça. Os empréstimos apenas alimentam uma realidade virtual. Cada vez mais virtual.