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Na nossa cultura, o amor e o sexo são sinónimos, ou pelo menos devem andar sempre associados. Isto não é verdade. Quando amamos e temos uma relação estável com alguém podemos sentir desejo por outra pessoa, embora seja apenas desejo sexual, ou atracção física, como alguns gostam de lhe chamar. Na sua origem, o ser humano é polígamo, mas o modelo que a sociedade nos impôs, muito influenciado pela cultura e moral judaico-cristã, é monogâmico. Uma imposição que hoje é norma. Mas... Os swingers não são polígamos, pois na sua essência, não se apaixonam por outras pessoas.
O swing é a prática do sexo social, entre casais, que poderá ter variantes ao gosto das fantasias de cada um. Assim, assiste-se normalmente à procura, por parte do casal, de um homem ou de uma mulher, para formar um trio, que embora possa ser considerado swing por alguns, na verdade não passa de ménage à trois. Numa relação swing há quem não passe dos preliminares e da troca de carinhos mútuos. Nestes casos, na altura da enetração, cada casal fica com o seu parceiro habitual.
Todas as variantes terão de ser aceites, pois como swingers e liberais, cada casal quererá realizar as suas fantasias.
Aquilo que é feito às escondidas poderá ser considerado como traição, mas passa a ser não só permitido como incentivado e acordado pelo casal. Infidelidade é coisa que não existe entre casais swingers, pois não há perda de confiança. Entre eles há um consentimento mútuo para o envolvimento sexual com outras pessoas.
Ver o parceiro com outro, pode ser perigoso, por isso os casais swingers devem estar completamente em sintonia em relação ao que desejam de uma relação swinger.
O swing, não serve para salvar casamentos que estão fragilizados. Normalmente, o swing ajuda a afundar esses casamentos.
Há muitos motivos para que um casal decida praticar o swing. Entre as muitas opiniões, a mais invocada é naturalmente a monotonia que a vida a dois acaba por atingir.
Mas que dizer dos casais que se iniciam no swing enquanto ainda namorados,
e dos casais que sendo casados há muitos anos são swingers desde que casaram?
O swing é essencialmente «sexo social». É uma actividade social baseada na actividade sexual devidamente consentida entre adultos. A maioria dos casos ocorre com casais heterossexuais, embora existam variantes a esta conduta.
A prática de sexo em grupo existe desde sempre na sociedade. Mas talvez assim como o conhecemos hoje, tenha começado na época do amor livre, em plenos anos 60/70, dos hippies, na ilha de White ou mesmo em S. Francisco.
A história do swing não é fácil de contar, já que existem diversas versões. Mas a que tem sido sustentada com mais insistência é a de que tudo começou durante a Guerra do Vietname, quando os soldados, antes de partirem para a guerra e supondo que não regressariam, faziam o «jogo das chaves» entre eles. Nesse jogo, cada elemento masculino tirava à sorte um grupo de chaves (do carro e do apartamento) e passava a noite com a mulher do outro. As outras histórias têm, invariavelmente, algumas semelhanças com esta, mas dificilmente, hoje, conseguiremos saber qual é a verdadeira.
In: www.xclube.com
E nós?
Tudo começa com uma ideia, um filme, um livro ou uma revista que dá azo a uma fantasia. Nessa fantasia vemo-nos a partilhar a nossa cama com pessoas que habitualmente não fazem parte do nosso quotidiano mais íntimo. A fantasia é comum a quase todos os homens e mulheres sexualmente saudáveis, mas também há algumas pessoas que fantasiam situações que decorrem com o consentimento da pessoa amada, e que concedem, por sua vez, esse mesmo direito ao parceiro com quem partilham uma grande parte do seu tempo. Quando estes casais conversam e percebem que partilham a mesma fantasia, passam da conversa à acção e tornam-se num casal swinger.
Foi precisamente o que se passou connosco. Habitualmente tratam-nos pelo nosso nick, SW-TEAM, uma espécie de nome de código usado nos fóruns privados na Internet, nas conversas no messenger, ou nos clubes dedicados à prática swinger. Quem visitar o nosso perfil nesses espaços de convívio vai ler algo deste género: «Casal sem tabus, 25 (ela) e 28 (ele), procura pessoas divertidas, inteligentes e em boa forma que queiram partilhar bons momentos de prazer.»
Depois há os pormenores e as fotografias a que os outros usuários poderão ter acesso, de forma a descobrirem que somos: bicuriosa (ela) e hetero (ele), que vivemos na margem a sul do Tejo, que gostamos de praticar desporto e adoramos ambientes picantes, sendo frequentadores habituais do X-Clube, em Lisboa, e que, por vezes, também damos festas escaldantes em nossa casa. A partir do álbum de fotografias descobrem partes do nosso corpo, ou o nosso corpo por inteiro; descobrem se gostam ou não do nosso aspecto; e é então que ao reunir todos os ingredientes anteriormente descritos, decidem se têm interesse pelo nosso perfil e se estão interessados em conhecer-nos.
Regra geral, se um casal vê a nossa página, e esta lhe desperta curiosidade, mostra vontade de nos conhecer melhor através de um comentário ao perfil, convidando-nos para uma conversa no messenger ou noutro canal de conversação. Também acontece com frequência sermos nós a descobrir um perfil de um casal que nos interessa, e nessa altura convidamo-lo para uma conversa virtual. O que normalmente antecede um encontro real.
Mas, vamos recuar no tempo e descobrir a nossa primeira experiência.
Como começou?
Eu tive a ideia. Não, esperem, foi ela que a teve. No fundo, acho que a ideia foi dos dois, e até já havíamos conversado duas ou três vezes sobre o assunto. Lembro-me de que na primeira conversa que tivemos, ambos recusámos por completo esta hipótese, jurámos a pés juntos que não éramos capazes de suportar a ideia de ver o outro nos braços de mais alguém, a ter prazer com outras pessoas; enfim, uma mistura de sentimentos confusos criados pelo ciúme e pela insegurança do nosso pequeno ego. O problema foi que da primeira conversa surgiram sonhos que se revelaram durante o sono, novas fantasias, e quando se proporcionou uma nova conversa, a meio de uma reportagem televisiva sobre o tema, já havia uma certa abertura em relação ao assunto. Dessa vez, deixámos no ar a hipótese de que afinal poderia ser uma situação perfeitamente suportável, mas ficámos imenso tempo sem voltar a tocar na questão. Talvez a vergonha nos tenha coibido de o fazer. Acho que foi isso que aconteceu, concluímos que aquela conversa tinha sido fruto da excitação do momento e que tínhamos sido pouco sensatos ao admitir seguir tais caminhos. Contudo, a nossa abertura em relação ao sexo levou-nos a visitar uma feira temática, onde o swing era um dos temas em destaque, e a conversa dessa noite voltou a focar o assunto «troca de casais». A excitação tomou-nos de tal maneira que tivemos uma maratona de sexo madrugada fora e durante a manhã seguinte, comigo a dizer-lhe ao ouvido coisas como: «Estás a imaginar dois homens a comerem-te», ou «Vamos foder-te até ficares de rastos».
Nos dias que se seguiram, tocámos diversas vezes no assunto, falámos seriamente, e descobrimos, por fim, o que de facto cada um de nós sentia em relação à ideia de dar vida a esta fantasia. Primeiramente, ficou definido que, no caso de prosseguirmos, jamais existiriam beijos com outras pessoas, pois o beijo era muito mais íntimo do que aquilo que ambos estabelecêramos como «apenas sexo».
A ideia da importância do beijo iria mudar uns meses mais tarde mas era esta a nossa convicção quando nos iniciámos no mundo swing: nada de beijos!
Passaram-se duas ou três semanas após termos tomado a decisão de nos iniciarmos no meio swing, mas ainda não tínhamos dado nenhum passo nessa direcção, ou talvez já tivéssemos dado o mais importante, que foi termos conversado bastante sobre o assunto.
Porém, os nossos empregos tomavam-nos grande parte do tempo e chegávamos a casa cansados, o que acabou por deixar a nossa nova aventura em banho-maria. Quando resolvemos começar a investigar mais sobre o assunto na Internet descobrimos dois ou três fóruns dedicados a casais swingers, onde estes deixavam informação sobre os seus perfis e as suas fotografias, bem como os seus contactos de e-mail ou messenger para poderem ser contactados por outros casais. Foi então que resolvemos criar o nosso próprio perfil e tirámosalgumas fotografias um ao outro, com o objectivo de publicá-las nesses fóruns de gente sem grandes tabus ou preconceitos. Estávamos a dar os primeiros passos num mundo completamente
novo: o mundo do Swing!
Muitas conversas no Messenger e a descoberta de muitas pessoas com falsas intenções...
Um dia depois de termos colocado o nosso perfil no fórum, já tínhamos duas mãos-cheias de comentários e duas dúzias de contactos a querem conhecer-nos melhor e a convidarem-nos para uma conversa mais aprofundada no messenger. Entre casais e singles masculinos e femininos lá fomos dando um dedo de conversa a muitos deles.
Single é o termo que se usa para definir um determinado indivíduo que se movimenta sozinho neste meio, com o intuito de partilhar experiências novas com casais ou até muitas vezes para conhecer outros singles. O single feminino é com frequência mais bem visto no meio swinger, ao passo que o single masculino sofre mais recusas por parte dos casais. Também é verdade que estes últimos são em maior número relativamente às mulheres que aparecem sozinhas à procura deste tipo de aventuras, mas mesmo assim há algo que é inequívoco, o facto de as relações a três com duas mulheres e um homem ainda serem mais bem aceites, mesmo no mundo swing, do que as relações a três com dois homens e uma mulher. Começámos a perceber isto logo nas conversas iniciais com os primeiros casais que fomos conhecendo. Faziam-nos avisos do tipo: «cuidado, que há por aí muitos singles masculinos a fazerem-se passar por casais, e no fim dizem que a mulher não pode e oferecem-se para um ménage à trois». Ménage à trois é a definição para uma relação a três, sejam esses três na sua maioria homens ou mulheres. Quando colocávamos a questão: «então e com os singles femininos não precisamos de ter esse cuidado? Não se fazem também elas passar por casais com o mesmo propósito?», respondiam que «elas não precisam, sabem que basta querer para estarem com um casal». Mais tarde viemos a perceber que este facto também se deve à realidade das escolhas sexuais dos casais swingers, que na grande maioria são constituídos por ela — bissexual ou bicuriosa — e ele — heterossexual. Há as mais variadíssimas excepções a esta tipologia que nem sequer é uma regra, mas ao fim de algum tempo constatámos que este é o perfil que corresponde à grande maioria dos casais deste meio, e isso leva-nos a acreditar que esse é o principal motivo para os singles femininos serem mais bem aceites do que os masculinos, além do preconceito de que eles são na sua maioria mais falsos e mais mal-intencionados do que elas.
Quando nos preveniram em relação aos falsos swingers, mal sabíamos nós que já estávamos a ser vítimas de um indivíduo desses numa conversa paralela que estávamos a ter com um suposto casal.
A meio da conversa ele dá a entender que a mulher ainda não estava totalmente convencida a participar, que lhe tinha pedido para ele experimentar primeiro com um casal e ela entraria somente numa segunda sessão, dependendo de como tivesse corrido a experiência.
Percebemos logo de que tipo de pessoa se tratava, e nem era preciso que nos tivessem avisado, percebia-se onde o suposto casal queria chegar. Foi o nosso primeiro contacto bloqueado, e depois deste surgiram muitos mais.
Nas nossas experiências com swingers ou singles mal-intencionados, há uma história que se destaca e, por isso, merece ser contada.
Um dia estávamos nós nessas conversas paralelas com dois ou três elementos novos dos nossos contactos do messenger quando uma single mete conversa connosco. As apresentações decorriam e ela já se dizia cheia de tesão e pedia para ligarmos a nossa webcam. Assim fizemos, mas como é habitual deixámos a câmara virada para o teclado antes de a levantarmos e mostrarmos as nossas caras, são os chamados segundos de vantagem. Ela que era toda para a frente, já mexia nos seios fartos e mostrava um rosto com cabelos louros compridos. Tinha ar de menina do leste, mas escrevia português de forma muito correcta. E como era de esperar, lá veio a pergunta:
«Então, posso ver-vos também?». Nós estávamos tão bem intencionados que começámos a levantar a câmara para ficarmos em igualdade
de circunstâncias quando, de súbito, se fez luz nas nossas cabeças:
«Espera aí, como consegue ela estar com as duas mãos nas mamas e usar o teclado ao mesmo tempo? Estranho, não é?» Um pouco atrapalhado, o chico esperto do outro lado desculpa-se com o tempo de resposta que não é real, porque o seu serviço de Internet está lento; mas quando convidámos a menina a parar de mexer nos seios e a levar um dedo ao nariz ou à orelha, o tipo fica mesmo zangado e acaba a conversa. Ora bem, juntando dois mais dois, aquela não era definitivamente uma bela rapariga de peitos generosos a querer juntar-se a nós numa aventura a três, mas um espertalhão qualquer agarrado ao teclado a passar imagens de uma cena picante gravada num desses canais de conversação eróticos, em que as meninas se vão despindo e tocando enquanto nos levam os euros do cartão de crédito. Tudo isto para ver se fazíamos o mesmo, se nos despíamos de preconceitos e nos desfazíamos dos panos que tínhamos sobre o corpo, para que o menino se contentasse sem fazer uso do American Express. Não contente, lá vem ele uma segunda vez, passados dez minutos, e com um novo nick. Agora fazia-se passar-se por um casal, também já muito despido na cama, mas era ainda mais fácil de perceber que não passava de uma gravação. O coitado ainda nos descompôs com ofensas antes de abandonar a nova conversação, ao perceber que tinha sido apanhado outra vez. Quem não se safou foi um casal nosso amigo que se pôs à vontade — demasiado à vontade — com o chico esperto, e quando veio a saber já era tarde de mais. Depois disso os nossos amigos ficaram com medo que vídeos seus andassem a circular na Internet.
Por fim, conhecemos o Tob...
Depois de uma dúzia de conversas com alguns casais interessantes e interessados em partilhar experiências, duas ou três moças curiosas com a ideia do ménage e alguns singles manhosos a tentarem passar-nos a perna, lá conhecemos o Tob. O Tob é um single masculino assumido, um tipo sério e com intenções claras, que gosta de se divertir e está ansioso por novas experiências. É certo que o Tob não foi o primeiro single que conhecemos com pinta de ser boa gente, mas foi certamente o único, até àquele momento, que nos despertou algum interesse. Da minha parte, gostei do carácter que demonstrou, enquanto a minha parceira gostou imenso das fotografias que ele partilhou connosco. Rapidamente ganhámos alguma cumplicidade via web. A partilha de fotografias mostrando cada vez mais partes nuas do corpo intensificou-se; trocaram-se elogios de parte a parte, e a hipótese de um trio surgia no ar.
Faltavam meia dúzia de dias para o aniversário da minha parceira quando lhe perguntei se lhe agradava ter uma experiência a três com o Tob, como presente de aniversário. A princípio hesitou um pouco, mas rapidamente aceitou a ideia, e o passo seguinte foi combinar tudo muito bem com o Tob. Liguei para o Parque de Campismo de Monsanto, em Lisboa, e reservei um bungalow de madeira muito bem equipado com cama de casal, frigorífico, televisão, mesa e casa de banho completa. Combinámos que eu e ele levaríamos roupões e ela roupa interior atraente. Levaríamos também gel lubrificante, duas garrafas de vinho verde e qualquer coisa para jantarmos, a fim de conversarmos um bocadinho antes de passarmos à acção.
E assim foi, fomos buscar o Tob a Belém por volta das 19h00, estacionámos o carro perto da Ajuda para comprar um frango assado e daí a nada partimos os três para Monsanto. Ele estava nervoso na juventude dos seus vinte e um anos; ela talvez estivesse a pensar que ele parecia mais velho nas fotografias trocadas na Internet; e eu, muito tranquilo ao volante, sabendo para o que ia, tentava quebrar o silêncio que se instalara, com conversas sobre coisas banais. Quando finalmente chegámos ao parque de campismo levantámos a reserva.
Chegados ao nosso acolhedor cantinho de madeira, preparámos a mesa para jantar e começámos a falar sobre o que realmente nos tinha levado até ali. Comemos e bebemos enquanto conversávamos, e quanto mais bebíamos mais nos soltávamos, até que um à-vontade foi ganhando lugar entre nós. Eu era, sem dúvida, a pessoa que estava mais confortável com aquela situação, apesar de poder não parecer.
Vejamos as coisas desta maneira, a partir do momento em que consegui afastar a ideia do ciúme e aceitar com tranquilidade o que ia acontecer, estava muito menos nervoso do que ele, que supostamente estaria a pensar no que podia fazer com a minha mulher sem que isso me chateasse ou provocasse algum embaraço. Estava também muito menos nervoso do que ela, que parecia estar com medo de me magoar ou de uma reacção menos positiva da minha parte, por vê-la tocar noutro homem. Antes de irmos para o quarto conversei com ambos e disse-lhes que estava completamente consciente do que estávamos a fazer, por isso, pedi-lhes que ficassem à vontade.
Sabia que não deixariam de estar nervosos, mas pelo menos dei-lhes um voto de confiança para avançarem.
A nossa primeira aventura neste meio seria, então, partilhada com um single masculino, ao contrário do que se poderia pensar depois de tantas conversas com casais e singles femininos. Para ajudar a acender o rastilho, nós, como casal, tomámos a iniciativa de nos começarmos a beijar e a tocar. Enquanto eu tirava o roupão, ela começou a fazer-me sexo oral, depois de me beijar o corpo desde o pescoço até ao umbigo. Convidei o Tob a juntar-se a nós. Ele aproximou-se e ela ajudou-o a tirar o roupão, depois levou a boca ao seu jovem sexo firme e duro. Tob rejubilava com as carícias que recebia, enquanto isso desci pelas pernas da minha parceira e iniciei uma sessão de sexo oral que quase a fez atingir o orgasmo. Ela afastou-me a cabeça de forma a travar-me quando parecia estar a atingir o clímax, pois ainda era cedo para tal prémio. Daí em diante, os corpos soltaram-se e o prazer foi tendo lugar naquela cama, sendo que eu e o Tob trocámos de lugar diversas vezes, usando e abusando do corpo da minha amada que, por instantes, parecia carecer de um pouco de descanso. Realizámos várias fantasias, desde colocar-me de parte a observá-los a desfrutarem um do outro, à dupla penetração, passando por muitas outras situações a que demos azo naquele momento de loucura, luxúria e prazer. Adormecemos, por fim, após um longo período de prazer a três. Dormimos cerca de três horas e meia antes de voltarmos à acção, já com o fim da madrugada a convidar-nos a uma despedida tão prazenteira quanto a sessão anterior.
No entanto, o cansaço era notório e a despedida aconteceu a um ritmo mais calmo e menos dado a tantas loucuras. Foi o culminar de um encontro, que acabou com um silêncio ensurdecedor durante uma viagem de regresso a casa; três almas caladas a pensarem que tinham feito algo completamente fora do comum.
Deixámos o Tob perto de sua casa e nós fomos tomar o pequeno-almoço a uma pastelaria que acabara de abrir, mesmo antes de regressarmos a casa para dormir e recuperar daquela noite de loucos.
O dia seguinte
O relógio marcava 12h30 quando acordámos para um dia que se adivinhava de muita reflexão. Comecei por fazer uma rápida e fria análise da situação, percebi que nada se alterara nos meus sentimentospela minha amada e, de repente, senti que aquele momento tinha aumentado a confiança que existia entre nós; a nossa cumplicidade ganhou ainda mais força, não havia remorsos ou sentimentos de repulsa.
Quanto à minha parceira, senti que ela receava a minha reacção,chorou, confessou que tinha medo que eu lhe ganhasse repulsa, que sentisse algo diferente ao voltar a tocar-lhe; mas quando percebeu que o meu sentimento era completamente contrário ao que ela previra, ficou mais tranquila, menos receosa e também ela percebeu que desse dia em diante estaríamos ainda mais unidos e confiantes para seguir em frente, juntos, como casal, amantes e amigos.
Passado o teste…
Passado o teste, a palavra de ordem é continuar. Assim foi, continuámos a conhecer pessoas novas na Internet, a trocar fotografias e ideias, e a combinar encontros que acabavam sempre por ser adiados, ou por não acontecer pelas mais diversas razões. Um dia estava a trocar ideias com um suposto membro de um casal swinger, a responder às perguntas habituais daqueles que se iniciam no meio, quando este assume que não tem a certeza se quer mesmo seguir em frente. Até aí, nada de anormal, aconteceu-nos muitas vezes, encontrar os somente curiosos, os indecisos, os baralhados, os medrosos e os atrapalhados. As questões «porque o fazem?», «onde fica o ciúme?», «o que sentem?» são frequentes e as respostas já surgem na ponta da língua: fazemo-lo porque temos confiança um no outro, porque estamos seguros do que sentimos um pelo outro, porque optámos por desfrutar dos diferentes prazeres da vida sem nos limitarmos ao casal e sem entrarmos no campo da infidelidade, no qual a maioria das pessoas entra, jogando às escondidas e colocando máscaras de gente séria. O ciúme é só, e apenas, uma ideia social criada para controlar o que é incontrolável; connosco fica de fora desta aventura, porque ambos temos autoconfiança suficiente para saber que continuaremos a amar-nos após cada noite passada a desfrutar dos prazeres que este meio nos proporciona. Sentimos que desfrutamos dos prazeres que a vida nos dá sem nos obrigarmos a ser apenas e tão só um do outro para toda a vida, usufruindo sempre dos prazeres de um mesmo corpo, de um mesmo modo de estar sexualmente, de um mesmo leque de ideias não variável e esgotado por já termos experimentado tudo o que havia a experimentar um com o outro. Sim, porque nós ainda temos esta vantagem sobre a maior parte dos casais: como temos poucos tabus e preconceitos, ousamos desfrutar de várias experiências entre os dois que certamente chocariam grande parte das pessoas que nos conhecem.
No final de toda esta conversa com o tal indivíduo, este começa repentinamente a disparatar e a disparar ofensas e sentenças religiosas: que havemos de arder no inferno, porque somos uns pecadores e não respeitamos a ideia de casal criada por Deus. É óbvio que devíamos ter terminado a conversa por ali, mas as limitações criadas pelas religiões e pelos deuses desta gente são um tema que me interessa vivamente e resolvi entrar em debate com o tipo, que ficava cada vez mais nervoso e irritado com as minhas investidas. Ele simplesmente tinha acabado de conhecer uma pessoa que acredita num deus não limitador, que aceita cada passo dos seus filhos como uma forma de conhecer mais sensações e assim se aproximar cada vez mais da sua imagem de Ser omnipotente. Qual é o deus que recusa que os seus filhos aprendam com as suas experiências, desde que o uso da sua liberdade e livre-arbítrio seja conferido de igual modo ao parceiro? Estas perguntas irritavam o irado cibernauta e então resolvi despedir-me apenas com uma pergunta fácil: se te irritam tanto as ideias e os ideais das pessoas que frequentam este meio, porque é que meteste conversa comigo e me fizeste perder tempo? Ao que ele respondeu que apenas queria saber o que ia na cabeça de pecadores como eu, que talvez ainda pudessem ter salvação. Valha-nos Deus!